
Vale do Junco dos Faleiros de Cima
Implantada no meio de um montado de sobro e azinho de Vale de Junco, esta moradia nasce da vontade de habitar a paisagem sem a dominar. A implantação acompanha a topografia natural e preserva as árvores existentes, permitindo que a arquitetura se revele como uma continuidade do lugar. A sua forma implanta-se como o ponteiro de uma bússola, orientando-se na paisagem e afirmando uma direção. Ao mesmo tempo, a volumetria evoca um barco que repousa sobre a terra, impondo-se como um marco silencioso no horizonte.
A composição resulta da interseção de dois volumes triangulares que desenham uma forma simultaneamente rigorosa e inesperada. A entrada, marcada por um plano inclinado, conduz a um espaço onde a luz, a altura e a geometria definem a experiência da casa desde o primeiro momento.
Organizada num único piso com um pequeno mezzanine atelier, a habitação separa naturalmente os espaços sociais das áreas mais privadas. A sala, ligeiramente rebaixada, cria um ambiente de maior intimidade, enquanto os quartos e as zonas de estar se abrem generosamente a nascente, enquadrando a paisagem através de grandes envidraçados protegidos por alpendres.
Os recortes da volumetria permitem que cada abertura estabeleça uma relação cuidada com o exterior: a casa abre-se à paisagem sem nunca perder o sentido de abrigo. A luz percorre os espaços ao longo do dia, desenhando novas atmosferas sob os alpendres e valorizando a simplicidade dos materiais.
Betão, pedra, zinco, madeira e vidro compõem uma linguagem contemporânea que encontra no contexto rural a sua medida. Mais do que um objeto construído, esta casa procura ser uma forma serena de habitar o território, onde arquitetura e natureza se equilibram numa relação de respeito mútuo.
Rua Policarpo Anjos nº 60 A, Loja 4 1495-742 Cruz Quebrada — Dafundo Portugal