
Lisboa
Há lugares cuja identidade não se constrói apenas pela arquitetura, mas também pela memória que o tempo lhes imprime. Inserida num bairro de carácter histórico e marcada pela presença imponente do Aqueduto das Águas Livres, esta intervenção nasce do respeito pelo lugar e pela sua história.
A reabilitação procurou preservar a essência da construção existente, mantendo a fachada original como testemunho da sua identidade e da continuidade urbana que caracteriza o conjunto edificado. A transformação acontece de forma discreta, quase silenciosa, revelando-se sobretudo no tardoz, onde uma ampliação redefine a casa e responde às exigências do habitar contemporâneo.
Os novos espaços surgem naturalmente, privilegiando a fluidez, a luz e a relação entre interior e exterior. A organização da habitação foi pensada para proporcionar uma vivência mais funcional, flexível e confortável, sem comprometer a escala e o carácter do edifício original.
No interior, a linguagem é depurada e intemporal. A luz percorre os espaços, valoriza a matéria e reforça a simplicidade dos volumes. Cada elemento foi desenhado para integrar arquitetura, funcionalidade e conforto numa composição equilibrada.
A cor azul assume um papel singular ao longo do projeto. Inspirada na tradição e na proximidade da água evocada pelo próprio aqueduto, surge como elemento identitário, conferindo ritmo, profundidade e uma personalidade própria à habitação. É um gesto subtil, mas marcante, que distingue a casa sem romper o diálogo com o contexto envolvente.
Mais do que recuperar uma construção existente, esta intervenção procura prolongar a sua história. Um projeto onde passado e presente coexistem naturalmente, demonstrando que reabilitar é preservar a memória enquanto se cria espaço para novas formas de habitar.
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